Em 2001, a historiadora francesa Dra. Isabelle Fontaine realizava pesquisas nos arquivos do campo de Flossenbürg, na Baviera. Ela procurava documentos sobre prisioneiros franceses deportados durante a guerra. Em uma caixa empoeirada, encontrou um registro que nunca havia visto mencionado em nenhum estudo. O registro tinha um título estranho: lust knaben vertichnis.

Em alemão, significava cadastro de garotos de programa. A Dra. Fontaine abriu o cadastro e encontrou centenas de nomes, a maioria franceses. Ao lado de cada nome, um triângulo rosa desenhado à mão e uma data, sempre uma única data, nunca duas. Ela não entendeu imediatamente o que estava vendo.
Foi somente cruzando suas informações com outros arquivos que ela descobriu a verdade. Os Loust Knaben, os garotos do prazer, eram um grupo específico de prisioneiros franceses homossexuais. Eles haviam sido selecionados por sua juventude, sua aparência física, certas características que a SS considerava desejáveis. E a data ao lado de cada nome não era a data de chegada ao campo, mas sim a data de morte.
Mas o que tornou essa descoberta verdadeiramente arrepiante foi o que aconteceu entre a seleção e a execução. Porque o garoto de programa não morria imediatamente. Eles viviam por semanas, às vezes meses, em um barracão separado. Um barracão onde recebiam um tratamento radicalmente diferente dos outros prisioneiros. Tinham comida de verdade, roupas limpas, banhos quentes, cigarros e, então, um dia, sem aviso prévio, eram executados.

Fontaine passou os anos seguintes reconstruindo a história desse sistema. Ela encontrou depoimentos de sobreviventes, não dos próprios garotos de programa, pois nenhum havia sobrevivido, mas de prisioneiros que conviviam com eles e que haviam presenciado o que acontecia. O que ela descobriu foi uma das formas mais perversas e menos documentadas da crueldade nazista.
Antes de prosseguir com este vídeo, convido você a se inscrever no canal, caso ainda não o tenha feito. Esta história revela um aspecto da perseguição nazista que até mesmo os historiadores têm dificuldade em compreender: uma crueldade que não se contentava em matar, mas que brincava com suas vítimas antes de destruí-las.
Se você acredita que esses homens merecem reconhecimento, deixe um comentário abaixo. Eu leio todas as mensagens. Para entender o sistema de garotos de programa, é preciso primeiro compreender a lógica distorcida que o sustentava. Na ideologia nazista, os homossexuais eram considerados degenerados, homens que haviam renunciado à sua masculinidade, que haviam se feminizado, que representavam uma ameaça à pureza da raça ariana.
Mas esse ódio coexistia com algo mais. Algo que os nazistas jamais admitiriam oficialmente, mas que era evidente em suas ações: uma fascinação. Pois, embora os homossexuais fossem oficialmente desprezados, alguns oficiais da SS sentiam um interesse doentio por eles, um interesse que misturava repulsa e desejo, ódio e atração, um interesse que não podiam expressar abertamente, mas que podiam satisfazer no mundo sem lei dos campos de concentração.
O sistema de prostituição masculina nasceu dessa contradição. Foi criado em Flosenburg sob a supervisão de um subcomandante chamado Auberturm für Carl Heines Ditrich. Ditrich era um homem complexo, casado, pai de dois filhos, um nazista convicto, mas também, segundo depoimentos do pós-guerra, um homossexual reprimido que odiava ser quem era.
Dietric teve uma ideia, uma ideia que lhe permitia satisfazer seus desejos sem infringir os limites da ideologia nazista. Prisioneiros homossexuais eram condenados à morte de qualquer maneira. Eles não sobreviveriam ao campo. Era uma certeza. Então, por que não usá-los antes que morressem? Por que não criar um sistema onde alguns deles seriam selecionados, tratados de forma diferente, mantidos vivos para o prazer dos oficiais? E quando cumprissem seu propósito, seriam eliminados, substituídos por outros, um ciclo perpétuo de seleção, uso e…
destruição. Era monstruosa, era lógica. Na lógica distorcida do nazismo, e era terrivelmente eficaz. A seleção ocorria na chegada dos comboios. Quando um transporte de prisioneiros franceses chegava a Flosenbourg, um oficial inspecionava os recém-chegados. Ele procurava por critérios específicos: jovens, com menos de 30 anos, aparência física agradável e constituição relativamente robusta.
Os prisioneiros que usavam um triângulo rosa e que atendiam a esses critérios foram separados dos demais. Disseram-lhes que haviam sido selecionados para uma tarefa especial. Foram levados para o quartel de Luskaben. O que os aguardava lá era desconcertante. Em vez do inferno que haviam imaginado, descobriram algo quase paradisíaco.
Camas com colchões de verdade, cobertores limpos, comida em abundância, pão branco, carne, legumes, às vezes até chocolate ou bolos. Ele recebeu roupas civis em vez de uniformes listrados. Podia se lavar todos os dias. Não precisavam trabalhar nas pedreiras como os outros prisioneiros. Para homens que acabavam de passar pelo inferno da deportação, era incompreensível.
Por que esse tratamento preferencial? O que os alemães esperavam deles? Eles estavam prestes a descobrir. Esta é a história de um homem que testemunhou o sistema de prostituição masculina, não como vítima, mas como um prisioneiro comum que viu o que acontecia do outro lado da cerca de arame farpado. Seu nome era Maurice Lef.