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“Non muovere il bacino” – un metodo orribile usato dai medici nazisti sui loro prigionieri.

“Non muovere il bacino” – un metodo orribile usato dai medici nazisti sui loro prigionieri.

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Estávamos imóveis. Cinco mil estátuas de gelo vestidas com pijamas listrados. Senti o suor frio escorrendo pelas minhas costas. Meu estômago se contraiu. Disenteria. Era a palavra mais aterradora do campo. Mais assustadora que “bunker”, mais assustadora que “pedreira”. Porque disenteria significava sujeira, fraqueza visível e, acima de tudo, vergonha. Se você não conseguisse se conter, se o líquido marrom escorresse pelas suas pernas durante a chamada, você estava acabado. O Kapo veria você, e um homem que se esvazia é um homem inútil. Cerrei os dentes. Contraí os músculos até doer. “Aguenta firme, Antoine”, repeti para mim mesmo.

“Aguenta firme, mais uma hora.”

Mas a doença não negocia. As bactérias corroendo meus intestinos zombavam da minha vontade. Senti o calor líquido escapar. O cheiro acre e fétido subia ao meu redor. Meu vizinho, um velho comunista chamado Marcel, tossiu alto para abafar o ruído. Mas o cheiro… não se pode abafar o cheiro. O Kapo do Bloco 6 passava entre as fileiras. Seu nome era Franz, um bruto corpulento com o rosto cheio de cicatrizes e botas impecavelmente limpas. Ele parou atrás de mim. Fareou o ar como um cão de caça.

Viu a mancha escura se alargando no tecido fino da minha calça listrada. Fechei os olhos, esperando o golpe do bastão, esperando a morte. Os que sofrem de disenteria são mortos para evitar o contágio. É a regra sanitária do campo.

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Mas o golpe não veio. “Você”, resmungou Franz. “Você cheira a carniça.” Virei-me lentamente, tremendo de febre e medo. “Desculpe, Herr Kapo, é… é só um acidente.” “Você está doente”, afirmou ele com uma calma estranha. “Você vai contaminar o quarteirão inteiro. Não quero uma epidemia no meu quartel.” Ele apontou o dedo enluvado para um prédio de tijolos vermelhos, um pouco afastado, com uma chaminé que ainda não soltava fumaça. “Vá ao Revier, à enfermaria. Diga que eu o enviei para o tratamento especial de disenteria.”

O Revier, a enfermaria. Em qualquer outro lugar do mundo, essa palavra significava esperança, camas brancas, aspirina, repouso. Ali, era a antecâmara da morte. Dizia-se que quem entrava no Revier saía pela chaminé. Mas eu tinha 23 anos. Era estudante de medicina. Uma parte de mim, ingênua e estúpida, queria acreditar na lógica. Precisavam de mão de obra. Por que matar um homem saudável se podiam curá-lo em três dias com carvão e água? “Obrigado, Herr Kapo”, gaguejei. Saí da fila. Caminhei em direção ao prédio de tijolos. Minhas pernas estavam pesadas como chumbo. A vergonha queimava minhas bochechas.

Andar com as próprias fezes no corpo sob o olhar de milhares de homens é uma destruição da alma. Subi os três degraus do Revier. Empurrei a porta.

O choque térmico me fez cambalear. Estava quente. Um calor sufocante e úmido que cheirava a fenol, éter e algo mais. Um cheiro nauseantemente doce, o cheiro de gangrena mascarado por desinfetante. O corredor era revestido de azulejos brancos. Era limpo, limpo demais. Depois da lama e da imundície do campo, essa limpeza parecia agressiva. Chegou um enfermeiro. Ele não era prisioneiro; era um  Obersanitäter , um auxiliar médico da SS. Usava um jaleco branco imaculado sobre o uniforme cinza-esverdeado. Tinha cabelos loiros bem curtos, óculos sem aro e um rosto liso e jovial.

Parecia um anjo — um anjo da morte.

“Nome?” perguntou ele sem me olhar, consultando um registro em uma mesa alta. “Antoine de la Croix, número de série 92640, motivo: disenteria, Herr Sanitäter. Kapo Franz me enviou.” O homem ergueu os olhos; examinou-me da cabeça aos pés. Seu olhar parou nas minhas calças sujas. Ele esboçou um pequeno sorriso de discreto desgosto. “Ah, vejo um vazamento hidráulico. É constrangedor, não é? Perder o controle dos esfíncteres.” Falava francês impecável com um sotaque persistente, quase zombeteiro. “Sim, Herr Sanitäter.” “Você tem sorte, Antoine. Temos uma nova terapia muito eficaz, até radical. Limpa tudo.” Ele anotou algo em seu registro.

Sua caligrafia era precisa, elegante. “Quarto 3! Tire toda a roupa. Deixe seus trapos no corredor. Daremos a você uma camisa limpa. E tome um banho. Não quero tocar em um corpo sujo.”

Um banho, uma camisa limpa. Meu coração disparou. Era bom demais. Era o paraíso. Eu ia ser lavado. Eu ia ser curado. Obedeci. Tirei minhas roupas imundas. Entrei no chuveiro. A água estava morna. Chorei sob o jato. Esfreguei minha pele fina, minhas costelas salientes. Vi a água marrom escorrer pelo ralo, levando embora a vergonha. Quando saí, uma camisola curta de algodão me esperava. Vesti-a. Senti-me humano novamente. Caminhei em direção à Sala 3. Havia uma fila. Quatro outros homens estavam lá, sentados em um banco de madeira encostado na parede. Usavam as mesmas camisolas curtas que eu.

Estavam descalços; não falavam. Olhavam fixamente para a porta fechada no fundo da sala. Olhei para o primeiro homem da fila.

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Ele era um russo, um colosso que havia derretido. Tremia. Não de frio, mas de terror. Cobriu as nádegas com as mãos, como se tentasse se proteger. “O que está acontecendo?”, sussurrei. “Qual é o tratamento?” O russo virou-se para mim com os olhos arregalados e vermelhos. “O tubo”, sibilou. “Eles colocam o tubo.” “Um enema?”, perguntei, minha mente médica tentando racionalizar. “É normal para disenteria. Hidrata, limpa. É doloroso, mas cura.” O russo balançou a cabeça freneticamente. “Não é água. Não é água. Quem entra, grita uma vez, só uma vez, e depois disso, não anda mais. É arrastado.”

De repente, a porta se abriu. Um som — um som que jamais esquecerei. O tilintar metálico de um instrumento sendo colocado em uma bandeja de vidro. E um cheiro, não o cheiro de doença desta vez, mas o cheiro de ácido. Um cheiro pungente que queimava a garganta como vinagre concentrado ou cloro puro. O enfermeiro loiro apareceu na soleira. Ele limpava as mãos enluvadas com um pano. Havia vestígios rosados ​​na borracha, sangue diluído. Ele sorriu para a fila de homens aterrorizados. “Próximo!”, disse ele suavemente. O russo se levantou.

Tentou recuar, mas o enfermeiro o agarrou pelo braço com uma força surpreendente. “Vamos, Ivan, não seja infantil, é só uma pequena purga. O mal precisa ser erradicado pela raiz.”

A porta se fechou atrás deles. Sentei-me no banco. Eu era o último da fila. Tive tempo para pensar. Tive tempo para ouvir. E o que ouvi através da divisória não foi atendimento médico. Ouvi o som de tiras de couro. Ouvi o russo implorando: “Niet, bitte, niet! Não, por favor, não!” E então ouvi o grito. Não era um grito humano; era o grito de um animal sendo eviscerado — um grito breve e estrangulado, seguido por um soluço, como se a respiração tivesse sido cortada por uma dor tão intensa que paralisou os pulmões.

Depois, gemidos, o som de líquido e o baque surdo de um corpo sendo jogado em uma maca com rodas.

Meu instinto médico despertou. Ninguém grita assim por causa de uma lavagem intestinal com água e sabão. Grita-se assim quando há uma ruptura, quando há uma queimadura. Olhei para as minhas mãos. Estavam tremendo. Eu não tinha vindo para ser curado; eu tinha vindo para ser executado. Mas por quê? Por que todo esse teatro — o chuveiro, a camisa limpa, a espera? Por que não simplesmente dar um tiro na nuca? Essa era a perversão do sistema. Eles queriam manter a aparência de medicina. Queriam brincar de médico. A porta se abriu novamente.

A maca saiu, empurrada por um prisioneiro polonês com olhar vazio. Na maca, o russo estava encolhido em posição fetal. Segurava a barriga com as duas mãos. Babava. Seu rosto estava cinza-claro. E atrás dele, no chão de azulejos, deixou um rastro — não de excremento, mas de sangue, sangue arterial vermelho vivo.

O enfermeiro chamou o próximo. Dois homens permaneceram à minha frente, dois homens antes da minha vez. Eu precisava encontrar uma solução. Precisava fugir. Mas para onde? A porta de entrada estava guardada. As janelas, gradeadas. Eu era um rato em um laboratório estéril, e o cientista louco preparava sua poção. O segundo homem entrou. Era um jovem judeu polonês, tão magro que suas omoplatas pareciam asas quebradas sob a batina larga demais. Ele chorava em silêncio. A porta se fechou. Contei os segundos. Um, dois, três… Aos vinte segundos, o som de correias.

Aos quarenta segundos, o som de vidro tilintando. Aos um minuto, o grito.

Dessa vez, foi um uivo agudo e interminável que atravessou a divisória como uma agulha atravessa um tecido. “Mamãe! Mamãe, está queimando!” Tapei os ouvidos. Minha vizinha no banco, a última sobrevivente antes de mim, começou a rezar em alemão — um murmúrio febril e incompreensível. Fechei os olhos e tentei pensar. Eu estava no terceiro ano de medicina. Sabia anatomia. Se não era água, o que era? Ácido carbólico, cresol? Se você injeta uma substância corrosiva no reto, a mucosa é destruída instantaneamente. A barreira intestinal se rompe. O produto passa para a corrente sanguínea ou perfura a parede.

Peritonite química, hemorragia interna maciça, choque séptico.

Aquilo não era um tratamento; era uma execução por dentro — uma forma de matar sem balas, sem gás, deixando o corpo intacto por fora, mas liquefeito por dentro. A porta abriu-se novamente. O jovem polonês não andava mais. Estava sendo arrastado pelas axilas pelo prisioneiro assistente. Suas pernas se arrastavam pelo chão, inertes. Havia uma poça escura sob ele, não apenas sangue, mas pedaços de mucosa. Senti ânsia de vômito. Reconheci o cheiro. Ácido acético concentrado — vinagre industrial, forte o suficiente para corroer metal. Estavam injetando ácido puro em estômagos vivos. “Próximo.” O terceiro homem se levantou.

Não resistiu. Estava em estado de choque, um zumbi dócil caminhando para o matadouro.

Continuei sozinho no banco. O corredor branco parecia se estender infinitamente. O silêncio era pesado, interrompido apenas pelo gotejar de uma torneira mal fechada no final do corredor. “Ploc, ploc”, como uma contagem regressiva. Olhei ao redor. Havia um armário de vidro lá dentro. Potes, compressas, tesouras. E se eu pegasse a tesoura? E se eu atacasse o enfermeiro quando ele abrisse a porta? Não. Havia guardas no corredor principal, e eu pesava 45 quilos. Mal conseguia ficar em pé. Eu não era um herói de filme de ação. Eu era um paciente exausto com disenteria.

O terceiro homem não gritou; foi pior. Ouvi um gorgolejo abafado, depois um baque. O silêncio voltou. Então, a voz suave e melodiosa do anjo loiro: “Limpe isso. Ele se mexeu. Sujou tudo.” A porta se abriu. O enfermeiro apareceu. Ele tinha uma mancha molhada em seu jaleco impecável. Parecia irritado, como um garçom que derramou vinho. Tirou os óculos, limpou-os e então fixou seus olhos azuis em mim. “Sua vez, aluno. Espero que você seja mais cooperativo. Entre.” Levantei-me. Meus joelhos batiam um no outro. Atravessei a soleira.

O quarto número 3 era pequeno, com azulejos do chão ao teto.

Havia uma mesa de exame alta coberta com uma toalha de mesa marrom oleada. A toalha estava molhada; tinha acabado de ser lavada com uma mangueira. Mas manchas avermelhadas permaneciam nas ranhuras. No centro da sala estava o instrumento. Não era uma máquina complexa; era de simplicidade medieval — uma forca de metal. Pendurado na forca havia um frasco de vidro graduado cheio de um líquido viscoso amarelado. No fundo do frasco, um tubo de borracha vermelha e, na extremidade do tubo, uma cânula.

Não uma cânula de ebonite ou borracha macia, mas uma cânula de vidro — longa, grossa, rígida. Apertei os olhos. A ponta da cânula parecia lascada. Foi esse detalhe que me gelou o sangue. O vidro não era polido; era afiado. “Feche a porta”, disse o enfermeiro.

Obedeci. Ele aproximou-se da pia, lavou as mãos enluvadas e virou-se para mim. “Disseram-me que você queria ser médico, Antoine. É verdade?” “Sim, Sanitäter.” “Bem, então, você vai gostar do procedimento. É um estudo sobre a resistência da mucosa colônica a agentes cáusticos. Muito interessante do ponto de vista científico.” Ele falava como se estivesse dando uma palestra em um anfiteatro. “Por quê?”, perguntei, quase sem voz. “Por que não nos matar logo?” Ele sorriu — o sorriso de uma criança arrancando as asas de uma mosca. “Porque a morte é muito simples. O Reich precisa de dados.

E além disso, precisamos tratar sua disenteria. Não, depois disso, eu prometo, você nunca mais vai querer ir ao banheiro. O problema estará resolvido definitivamente.” Ele bateu na mesa. “Vamos lá, colega, posicione-se. Posição genupeitoral, por favor. De quatro, com as nádegas para cima. Você sabe a posição.”

Eu não me mexi. Fiquei olhando para o frasco de vidro. Vi as bolhas de ar subindo lentamente no líquido amarelo. Ácido, ou talvez formaldeído. “Não”, eu disse. “Com licença, não vou subir aí.” O enfermeiro suspirou. Apertou um botão na parede. Uma campainha tocou. Dois segundos depois, a porta se abriu. Dois Kapos entraram — criminosos poloneses comuns, usando triângulos verdes. “O paciente está agitado”, disse o enfermeiro com tédio. “Ajude-o a se acalmar.” Eles me agarraram. Eu me debati. Tentei morder. Arranhei um rosto. Mas eles eram fortes, bem alimentados, brutais. Me jogaram na mesa.

Meu rosto bateu com força contra a toalha de plástico fria que cheirava a sangue e desinfetante.

Eles agarraram meus braços, puxaram-nos para trás das minhas costas — clique — uma algema. Agarraram meus tornozelos — clique — uma tira. Eu estava imobilizada, presa de bruços contra a mesa, mas minha pélvis estava elevada por uma almofada dura. Fui oferecida, vulnerável, ridícula. O enfermeiro se aproximou. Ouvi seus passos leves. Ele ajustou a altura do cadafalso. Deixou um pouco de líquido escorrer para expelir o ar do tubo. Ouvi o líquido atingir um balde de metal no chão. Estava fumegando. “É uma mistura especial”, explicou ele suavemente, inclinando-se em direção ao meu ouvido.

“Ácido clorídrico diluído e alguns cacos de vidro moído para abrasão — para garantir que o produto penetre bem nos tecidos.”

Vidro estilhaçado. Minha mente girava. O horror ultrapassava a compreensão médica. Aquilo não era mais ciência; era pura demência. “Por favor!”, implorei. “Não estou doente, estou curado. Deixe-me voltar ao trabalho. Trabalharei dobrado.” “Relaxe. Se você contrair, vai doer mais. O esfíncter precisa se abrir, Antoine.” Senti o frio da cânula de vidro contra a minha pele. “Acima de tudo!”, ele sussurrou, sua voz de repente ficando séria, ameaçadora. “Não mova a pélvis. Se você se mexer, o vidro vai quebrar lá dentro. E se o vidro quebrar, terei que entrar e pegar os cacos com as minhas mãos.

E eu não gosto de sujar as minhas mãos.”

Eu congelei. O terror me paralisou. O frio entrou. No início, não doeu. Era apenas uma intrusão, uma pressão, um corpo estranho, rígido e largo, violando a integridade do meu corpo. “Pronto, está no lugar”, disse o enfermeiro. “Agora, vamos abrir a válvula.” Ele girou a válvula. Senti o líquido descendo pelo tubo. A gravidade estava fazendo seu trabalho. O fogo chegou dois segundos depois. Não foi uma queimadura; foi uma explosão. Era como se chumbo derretido tivesse sido derramado nas minhas entranhas. Eu queria gritar, mas minha garganta se fechou. Meus olhos saltaram das órbitas.

Meu corpo teve um espasmo violento, um reflexo de rejeição incontrolável. Me movi. Movimentei a pélvis. Crack!  Um som agudo, o som de vidro fino se estilhaçando. O enfermeiro recuou abruptamente. “Idiota!” gritou ele, perdendo a calma pela primeira vez. “Eu disse para você não se mexer! Você quebrou a cânula!” O líquido continuou a fluir, mas agora jorrava diretamente na ferida aberta pelos cacos de vidro. O mundo ficou branco. A dor apagou o quarto, o anjo loiro, o acampamento. Nada restou além do fogo. Um fogo que consumia meu ventre. “Tirem-no daqui!” ordenou o enfermeiro. “Joguem-no para fora.

Ele estará morto em uma hora.”